theme por undoned
Olá, me chamo Dean, tenho 24 anos e sou viúvo. Isso mesmo, viúvo. Vou contar minha história para vocês.
Vivia no Estado da Califórnia onde sempre estive só. Adoro praia, não fico um dia sequer sem dar ao menos um mergulho. Mas a vida não se resume em curtição, não é mesmo? Eu sentia tremenda falta de uma companhia, qualquer que fosse. Um dia fiz aquele trajeto rumo à praia e avistei, de longe, uma linda garota. Digo maravilhosamente linda, nunca tinha visto-a por ali. Ruiva de olhos castanhos claros e pele branquinha com leves sardinhas. Meu coração palpitou no mesmo instante, era algo que não tinha explicação alguma, talvez mais forte que qualquer outra sensação. Fiquei meio ressabiado de início, não imaginava como poderia me aproximar. O instinto falou mais alto. Ergui a cabeça e segui em frente, simples. Fingi que estava apenas tendo minha corrida matinal e colidimos como algo nada intencional. Confesso, era o que eu mais queria agora. Pedi inúmeras desculpas e ela apenas sorriu de canto. E por sinal, era o sorriso mais lindo do mundo. Era ela. Sim, meu pressentimento estava incontrolável. Novamente meu coração quis sair pela boca e ir parar em tuas mãos angelicais. Convidei-a para sentarmos na areia de que estávamos diante. Trocamos apresentações, palavras doces, experiências. Ah, que tarde maravilhosa.
Apesar da idade, eu era um rapaz completamente atarefado. Encontrava-me em meus exatos 18 anos, e pelo que conversamos, ela também. Era época de vestibular, correria incomum. Eu havia me inscrito num cursinho pré-vestibular no ano anterior, mas estava tentando uma faculdade federal a fim de cursar direito. Ela tinha planos assim como eu, porém sonhava em se formar como jornalista. Dedicação de sua parte era o que parecia não faltar. Quase me esqueci de dizer, seu nome era Raíssa. Na língua ídiche, significa “rosa”, — nada mais apropriado para uma moça como essa. Eu a chamaria de raio de sol a partir de então. Tivemos diferenciados diálogos, ela era comunicativa como uma jornalista e eu, bom, eu sempre argumentativo como um advogado. Trocamos telefones e ali começava uma bela amizade.
— O que a trouxe até San Diego? - perguntei - Cá entre nós, Albany não fica aqui do lado.
— Bom, digamos que tirei umas férias, precisava distanciar-me de tudo por um tempo. Aproveitei o fato de meus avós morarem na cidade e pronto, meio sem rumo certo, talvez. Há tempos não sabia como era bom esse cheiro de mar.
— E algum motivo específico para uma atitude no mínimo radical?
— Acredito que sim, mas não vem ao caso. – sua expressão mudou em questão de segundos, onde habitava aquele doce sorriso deu espaço para sombras agora
— Ei, me perdoe por isso, por favor… – deixei transparecer o tom de preocupação em minha voz
— Não, não se desculpe. Você não disse nada demais, Dean.
— Então quer dizer que preciso esperar até o próximo verão para vê-la?
— Talvez… A não ser que venha para casa comigo.
— Adorei o convite, mas seus pais não se assustariam?
— Isso seria hilário. – sorriu com um toque de malícia no olhar – Se eu chegasse casada sim.
— Me parece um desafio. Bom, não seja por isso.
— O que quer dizer?
Sorri e disse:
— Senhorita Raio de Sol que acabo de conhecer, gostaria de unir-se a mim por meio do matrimônio? Mesmo que nem tão autêntico.
— Você é bem engraçado, mas acho que sim, aceito. Aliás, me sinto como se tivesse 10 anos de idade outra vez.
— Eu realmente não esperava por isso. Quero dizer, não temos um buquê, roupas decentes e…
— Acalme-se. Basta eu e você, podemos improvisar bem um buquê com gramas.
— Cheia de atitudes, ótimo.
— Me beije logo, senhor noivo.
Nem precisaria pedir duas vezes, pensei. Doce garota de pele macia como algodão e toque leve. Como não se apaixonar? Não falo totalmente de “amor á primeira vista”. Raíssa voltou para sua cidade no outro final de semana como o esperado, mas ficamos juntos tempo suficiente para brotar algo que jamais sentira em toda minha vida. Gastamos tempo de todas as formas imagináveis: saímos, dançamos, cantamos e tivemos tantos outros passatempos, como amigos, claro. Inclusive ensinei-a a surfar e adorávamos pegar conchinhas do mar durante o por do sol. Sua partida teve uma breve despedida, pra falar a verdade, eu incessantemente odiava o fato de ter de existir esse tal de “fim”. Mas não, essa era uma história que não morreria. Na verdade era o que eu esperava. Raíssa se foi levando consigo uma corrente customizada que dizia “always”. Sim, sempre. Mesmo de longe eu pediria a Deus por ela.
Meses depois recebi a tão esperada notícia, meu sonho se realizaria agora. Acabara de conseguir a vaga na universidade e adivinhe quem apareceu, talvez, para dar um empurrãozinho? Alguns tratam como destino, e até então tinha minhas dúvidas, porém, desta vez era pra valer. Albany, eu faria faculdade de direito em Albany. Quer coisa melhor? Digo, isso não significa algo demais, mas a mente de um homem apaixonado pode idealizar também, porque não?
Já se passavam cinco anos e dois meses que morava em um minúsculo apartamento de uma movimentada avenida. Perdi parcialmente o contato com Raíssa. Ela havia encontrado alguém pouco depois de seu retorno à cidade. Não, eu realmente não estava feliz por isso. Foi só um beijo, mas eu a amo com todas as minhas forças, entenda bem. Era pra ficarmos juntos ou jurarmos amor. O rapaz quase sempre inseguro, talvez, nos mantinha longe. Eu sentia imensa falta daquele riso frouxo. Lutaria por Raíssa quando fosse preciso, contudo ainda não era a “hora certa”, digamos.
Depois de tanto lamentar-me decidi encarar uma bebedeira para pôr fim em todas as mágoas e preocupações, mesmo que por tempo limitado.
— Uma dose, não, uma garrafa faria melhor efeito, então quero uma garrafa de tequila, por favor. - pedi à moça que estava por detrás do balcão - Simplesmente não me pergunte o porquê.
— Atitude sensata, poxa.
Essa voz, essa voz não me era nada estranha. Comprovado. A garota virou-se para mim e debruçou-se sobre o balcão que nos separava.
— É bom te ver…
Virei quantos copos de tequila a noite toda? Era uma miragem ou aquela era mesmo minha ruivinha? Quero dizer, aquelas era Raíssa?
— Pensei que se lembrasse de seu amor de verão.
Eu queria gritar ou quem sabe espernear, mas apenas pude cuspir:
— Ah, oi.
— Ei garotão, vá com calma com essa bebida. Caso contrário, daqui a alguns minutos estará revelando a todos que quiserem ouvir, seus maiores “segredos”.
— Não me importo de perder a noção ou razão.
— Senti sua falta, D.
— Isso é bom? - disse abusando do tom sarcástico
— Não mereço que me trate de tal maneira.
— Não compreende o que quero dizer?
— O que eu fiz de errado, Dean? Tentei contato contigo por um grande tempo e o que aconteceu? Responda-me. Você dizia nunca ter tempo, é isso. Sou a errada agora? Qual o seu problema?
— Qual é o meu problema? Cale-se, você não tem moral para falar disso.
Minhas palavras insanas fizeram aqueles lindos olhos brilhantes se encherem de lágrimas e, antes que a primeira ameaçasse rolar rosto abaixo, Raíssa fechou os olhos e disse com voz falhada:
— Por favor, deixe para resolvermos nosso problema outra hora. Preciso desse emprego.
— Sempre fugindo como todas as outras. Previsível.
— Me encontre em algum lugar quando o expediente acabar.
— Não, acha que sou seu tapete descartável? Sei que vou me arrepender, mas…
— Dean…
— Eu falo, você escuta, vou embora e nunca mais terá notícias sobre mim. Será como se nunca tivéssemos nos conhecido. Bem, quando a encontrei naquela praia, onde tudo começou, acreditei que nada tinha sido meramente por acaso. Você e eu ali, juntos, cheguei a crer que fosse resultado de alguma obra divina. Antes de conhecê-la, o vazio no meu peito tornava-se ameaçador, você o preencheu e depois partiu, o curativo se rompeu, como o esperado. Pensei que não houvesse restauração, apenas descobri que a situação poderia piorar. Ver você feliz com outro homem não me fez bem, confesso. Queria tê-la comigo sempre, não dava mais para suportar sua falta. É querida Raíssa, eu te amo como nunca antes amei alguém, mas agora sei que não sou forte o bastante para lutar por você e sair vivo da guerra, me desculpe.
Sou um completo idiota. Era a frase que enchia minha cabeça desde que sai dali com os olhos vermelhos de tanto chorar. Só queria ir embora e ter um ombro para me lamentar. Raíssa era uma grande mulher e eu simplesmente não teria forças para lidar com outra despedida. Como estava linda, digo, ainda mais, mesmo que não parecesse possível. O tempo foi bastante cordial. Só comigo as coisas não deram certo?
Vaguei por becos e vielas sem saber qual rumo ou atitude certa tomar. Onde estaria Raíssa agora? A dor não cessava, nunca. Veio a chuva e me deixou encharcado, após isso só me lembro da escuridão…
Sentia frio e me perguntava como pude parar em minha cama. Mal podia caminhar, minha cabeça latejava e que espere, aquela não era minha cama. Abri os olhos por breves segundos entre piscadelas e definitivamente nada era reconhecível. Mas nada importava, tinha perdido de vez o grande amor da minha vida. Ou não. Aquele objeto reluzente na penteadeira me parecia familiar. Levantei-me e ousei caminhar em sua direção. Notei que quase estava completamente despido. Pouco dei importância. Sim, era o mesmo colar de cinco anos atrás.
— Se sente melhor? Fico feliz por ter acordado sã e salvo. Fiz uma canja para você, volte para cama.
— Raíssa?
— Não nego que prefiro “Raio de Sol”.
— O que faço aqui? Na verdade, o que estamos fazemos aqui juntos? Não me lembro de absolutamente nada. O que aconteceu? Espere, não me diga que nós…
— Isso é bem engraçado, de fato, mas fique calmo porque não fizemos algo demais. Aliás você sim, eu só passei a noite aqui observando como mesmo durante o sono você tem semblante sereno.
— Entendo, e qual foi a burrada dessa vez?
— Bem, você disse coisas horríveis sobre mim e - Raíssa sorriu sem jeito e continuou - no final, descobri que me amava antes de você sair porta afora. A bebida teve esse efeito, acredito eu.
— Realmente não consigo me recordar…
— É, foi o que pensei.
— Falei sério. - suspirei
— Desculpe?
— Eu te amo, Raíssa.
— Pelo visto ainda há alguns sinais de ressaca.
— Tudo bem, não acredite…
Puxei-a para perto, mais perto, perto demais. Agora já não dava para voltar atrás. Minhas mãos envolviam suas costas, nossos corpos colados, ah que beijo ardente. Seria perfeito se não fosse por único detalhe. Raíssa interrompeu-me, sentou-se de costas para mim e debulhou-se em lágrimas.
— Ei, fiz algo de errado?
— É totalmente recíproco, Dean.
— O que quer dizer?
— Eu te amo, cara. Sempre amei. Você é aquele que qualquer e toda pessoa gostaria de ter ao lado. Quando voltei e perdemos o contato minha vida ficou sem sentido. O sol não nascia porque eu precisava ver seu sorriso. Tinha fotos, lembranças, objetos, mas não bastava. Eu queria você aqui. Eu queria acordar, olhar para o lado e ver que você estava lá. Deus, como doía. Pensei que fosse mais uma em sua vida. Você é lindo e nunca fui a única. Mas eu te amava, talvez além do que deveria. Fiquei com uma pessoa afim de colocá-la em seu lugar, porém, é como dizem, duas matérias não ocupam o mesmo lugar, e você sempre esteve aqui dentro - Raíssa limpou algumas lágrimas e prosseguiu - Não tinha escolha, D. Eu era um criança e hoje veja só, acabei com minha própria vida. Apenas diga que me perdoará algum dia.
— Não diga isso, podemos ficar juntos.
— Nada é simples como parece.
— Esqueça-o, hoje somos eu você.
— Não estou com ele.
— Então o que poderia atrapalhar?
— Ele me abandou quando descobriu que…
— Diga de uma vez, Raíssa.
— Nunca nos desligaremos.
— Pensei ter ouvido que me amava.
— Quer saber, vou dizer sem rodeios. Estou grávida, Dean.
— O quê?
— Sim, por isso tranquei a faculdade. Me julgue e atire pedras, mas nunca esqueça que eu amei você.
— Eu não acredito.
— Acabei com nossa única chance, me perdoe.
— Vou assumir esse filho.
— Você não pode estar falando sério.
— Pague pra ver.
Fizemos um “acordo”. Raíssa voltaria a estudar e criaríamos nossa criança juntos. Assim como mandava a regra. Eu era de longe o pai mais feliz de todo o mundo. A acompanhei na última ultrassonografia. Estávamos de sete meses. Digo, ela o carregava em seu ventre e eu apenas aguardava o tão esperado dia. Inacreditavelmente esse tal dia não chegou.
— Então teremos uma garotinha.
— Espero que não a mime demais.
— Dê um desconto, é minha primeira filha. Serei apenas um pai protetor.
— Ah acredito bastante nesse “apenas”, meu querido. Muito obrigada outra vez.
— Por ser um garanhão ou o quê necessariamente?
— Por ser você e ter sido tão companheiro quando mais precisei.
— Ei, não vamos tocar nesse assunto “inexistente” outra vez.
— Já temos um nome?
— Pensei em Laila.
— Acredito que tenha um significado em particular.
— Como me conhece bem.
— Dou o meu melhor para isso.
— Significa “bela como a noite”. Desse modo terei meu sol e meu luar. Não é fofo?
— Extremamente, Dean. Mas será que eu poderia dirigir hoje?
— Negativo, você não arriscará nossas vidas.
— Muito engraçado.
Oh my love, my darling. I’ve hungered for your touch. A long lonely time. Time goes by so slowly and time can do so much. Are you still mine? I need your love, I. I need your love. God speed your love to me" tocava na rádio e Raíssa cantarolava como um rouxinol afinado.
— Adoro essa música.
— Eu sei. É do filme que o homem morre e se comunica com a moça, não?
— Você também me conhece bem.
— É minha missão.
— Amo você.
— Eu sei também.
— Voltando ao assunto, sim. Eu simplesmente não me imaginaria vivendo tudo aquilo pelo que Molly passou. Não sou forte, é isso.
— Você não viveria sem mim, não minta.
— Sou sua, mesmo quando o para sempre se for.
Essas foram as últimas palavras de Raíssa que consigo me lembrar. De repente tudo escureceu. Soube que sofremos um grave acidente. Grande milagre alguém ter saído daquele carro com vida. Por quê não eu? Raíssa tinha uma vida toda pela frente e ainda não havia realizado seu maior sonho. Eu não saberia como lidar sem ela. Fui o culpado, acreditei por longos meses. Se estivesse no passageiro como ela pedira, hoje não precisaria relatar o quanto estou desolado. Ela era meu Raio de Sol. Onde estava a lógica? Deus sabe bem o quanto implorei para ir à encontro de meu amor. Mas eu tinha uma missão ainda não cumprida. Raíssa se foi e não havia onde me apoiar afim de conseguir forças para seguir em frente. Meu coração ficaria ali, naquela noite e em todas as outras que deitasse minha cabeça no travesseiro e lembrasse que naquele dia eu não disse o quanto a amava. Eu desistiria na primeira oportunidade se não fosse por alguém. Laila sobrevivera e tinha os olhos da mãe.”
- Foi como planejei, aquela nossa história não morreu, Raíssa partiu, mas deixou um pouquinho de si em cada doce lembrança. Hoje tenho Laila, talvez quem realmente importa. Meu Raio de Sol me fez homem, um homem feliz, pai d’aquela princesa bela como a noite - Dean e Raíssa,   Nayane wrong-g + Maylane florindo-me + Lizandra mar-de-ilus0es

Posted in: Thursday, 07 of February, 2013
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